Fibrilhação Auricular - Rubrica “Espaço Saúde”

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As arritmias cardíacas são situações em que o coração apresenta um batimento irregular, e bate a um ritmo demasiado lento ou rápido.A Fibrilhação Auricular (FA) é a arritmia crónica mais frequente, e a partir dos 60 anos atinge 6 em cada 10 pessoas. Nesta situação, o coração bate a um ritmo de 100-175 batimentos por minuto, quando em condições normais o faz a 60-100 batimentos por minuto. Esta irregularidade deve-se ao facto de as duas câmaras superiores do coração, as aurículas, que recebem o sangue que entra no coração, estremecerem ou “fibrilharem” em vez de se contraírem normalmente.

Estes batimentos cardíacos rápidos e irregulares não conseguem bombear eficazmente o sangue para fora do coração. Consequentemente, ele acumula-se nas câmaras do coração, aumentando o risco de formação de coágulos de sangue no seu interior. Estes podem sair do coração e entrar na corrente sanguínea, circulando através do corpo e acabando por obstruir/bloquear uma artéria, podendo dar origem a problemas graves, nomeadamente o Acidente Vascular Cerebral (AVC, vulgarmente conhecido por “Trombose Cerebral”).

A Fibrilação Auricular é responsável por 15 em cada 100 casos de AVC, aumentando em 5 vezes o seu risco. Aumenta também o risco de insuficiência cardíaca, demência, e de morte.

Os factores de risco mais frequentes são a idade avançada, a hipertensão arterial, a diabetes e a insuficiência cardíaca. As principais manifestações da doença são as palpitações (sentir o coração a bater), o coração a “saltar batimentos” ou a bater de forma desordenada, a falta de ar,o cansaço e intolerância ao esforço, tonturas /fraqueza/ sensação de desmaio e dor torácica (no peito).

O diagnóstico faz-se através de um exame simples e não doloroso, o electrocardiograma (ecg), ou de um registo electrocardiográfico em ambulatório, conhecido como Holter 24 horas (espécie de ecg portátil, que regista a actividade do coração enquanto o doente mantém a sua vida normal diária). A duração da FA depende da sua causa, mas frequentemente persiste durante toda a vida. A melhor forma de prevenir a FA é controlar os seus factores de risco, especialmente mantendo uma dieta equilibrada e baixa em gorduras, controlando os níveis de colesterol e pressão arterial, moderando o consumo de álcool, deixando de fumar, e practicando actividade física regular.

O tratamento varia de acordo com o tipo de FA, doente e riscos associados. Pode incluir o tratamento das doenças que conduziram à FA, medicamentos para controlar o ritmo ou a velocidade dos batimentos cardíacos, medicamentos para tornar o seu sangue “mais fino”, e assim prevenir a formação dos coágulos, e outros mais específicos da área da cardiologia.

O que diz o seu Enfermeiro de Família


Para prevenir a FA deverá adoptar um estilo de vida saudável, que previna o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, nomeadamente através de: alimentação equilibrada e variada; ingestão hídrica abundante; prática de exercício físico regular e restrição do consumo de álcool e tabaco.
Se tiver uma FA, poderá ser necessário a toma de medicação anticoagulante. Nesse caso, o paciente precisa ter conhecimento de que os anticoagulantes podem ter diversos efeitos colaterais e que alguns outros medicamentos podem interferir com a sua acção, devendo antes de iniciar ou interromper qualquer medicação, solicitar orientação ao médico e enfermeiro de família. É importante o uso correto dessa medicação e a necessidade do seu controle. Em algumas situações, nomeadamente na toma de varfarina (nome comercial Varfine®, um anticoagulante) deverá ser controlado o INR. O INR é um valor que permite avaliar a “fluidez” do sangue e na maioria dos casos deve ser mantido entre 2-3, devendo ser avaliado regularmente para o controle da dose de anticoagulante. Assim, o “sangue fino” (INR superior a 3) poderá representar risco de hemorragia, isto é, sangramento, e o “sangue grosso” (INR inferior a 2), poderá representar risco de acidente tromboembólico, isto é, formação de coágulos. O paciente deve ser informado sobre os sinais de sangramento ou de doenças que podem ocorrer, bem como interacções dos anticoagulantes com certos alimentos.
É importante cumprir uma dieta equilibrada em quantidade e qualidade, mantendo a prudência em certos alimentos que podem provocar alterações da coagulação sanguínea (alimentos com alto teor em vitamina K). Alterar muito a quantidade da comida que tem um alto teor de vitamina K pode modificar a acção dos anticoagulantes. São muitos os alimentos ricos em vitamina K, entre eles, brócolos, espinafres, laranja, couve, couve-flor, repolho, agrião, espargos, ervilhas, alface, fígado, abacate, pepino, chã verde e chã preto, entre outros. O consumo de álcool também deve ser evitado, pois como referido anteriormente, este interfere com a acção dos anticoagulantes.
É importante ter em conta que em caso de doenças com sintomas gastrointestinais como vómitos, diarreia, infecção ou febre, é bom comunicar com o médico de família, porque essas ocorrências pode interferir com a absorção dos anticoagulantes.
O paciente deve ser alertado que em caso de viagens deve levar sempre a terapêutica prescrita, bem como, a folha de dosificação entregue pelo médico de família, tendo sempre em conta as indicações dadas pelo enfermeiro de família.
Dra Andreia Lages; Dra. Sara Leite
Enfª Orlanda Martins

Se pensa que pode ter Fibrilhação Auricular ou se ficou com dúvidas, não hesite, contacte a sua Equipa de Saúde. Lembre-se que a informação é a base da Prevenção.
Atenciosamente, a Equipa da UCSP de Santa Marta.

Freguesia de Santa Marta de Portuzelo